Saída negociada evita julgamento sobre suspeição de Toffoli: como ministro foi convencido a deixar caso Master
Nos bastidores do Supremo, a avaliação é de que a saída encontrada para o caso da ligação do ministro Dias Toffoli ao caso Master foi a única possível para tentar conter o desgaste institucional.
O ministro Edson Fachin distribuiu aos demais ministros o material encaminhado pela Polícia Federal (PF), com autorização do próprio Toffoli, que também permitiu o acesso à defesa que o havia apresentado. Na reunião, os primeiros minutos foram dedicados à leitura desse material.
Segundo relatos ao blog, houve críticas à PF feitas por ministros por avaliarem que havia um nível de cruzamento de informações típico de investigação formal. Ministros adotaram um tom de crítica à PF, em um gesto a Toffoli: convergiram para o entendimento de que, embora o ofício da PF tratasse o episódio como “encontro fortuito”, o conteúdo — na visão deles — mostrava um trabalho investigativo, com troca de mensagens, convites e uma relação que vai além de contatos ocasionais.
E reiteraram perante Toffoli que é necessária autorização judicial para investigar ministros — exatamente o que a PF está buscando, como o blog relatou mais cedo.
Feito esse registro, o problema central foi debatido: o desgaste institucional com a permanência de Toffoli. Nos bastidores, o consenso entre os ministros era de que os indícios de conexões com Vorcaro e companhia já colocavam em xeque a permanência de Toffoli no caso. Não se tratava, como relatado por ministros ao blog, de um encontro social ou institucional, mas de uma relação que envolvia interlocução direta, mensagens e convites.
Depois de uma longa conversa, Toffoli foi convencido de que precisava deixar o caso. A saída construída foi descrita como a única politicamente possível: ele não seria declarado suspeito ou impedido, mas se afastaria da relatoria. A avaliação foi a de que o caso era grave e que, se ele insistisse em permanecer, o cenário poderia se agravar ainda mais com a abertura formal de um incidente de suspeição, o que levaria o tema a julgamento e prolongaria uma sangria institucional no STF, com risco de anulação de medidas já tomadas.
Inicialmente, Toffoli resistiu e argumentou que havia atendido aos pedidos da PF e da Procuradoria-Geral da República. No entanto, ao longo da reunião, foi convencido a sair.
Na avaliação de ministros, sua permanência no caso colocaria em risco todo o material já produzido. O entendimento foi o de que, no limite, se não houvesse uma saída voluntária, a discussão sobre suspeição poderia ser colocada em jogo, com consequências jurídicas imprevisíveis.
Ao final, prevaleceu a avaliação de que não existe uma saída ideal: apenas a saída possível. O gesto feito ao ministro foi o de preservar sua posição institucional, sem declaração formal de suspeição ou impedimento, ao mesmo tempo em que se garantiu a preservação de tudo o que já havia sido coletado, justamente para evitar questionamentos futuros.
Fora da reunião, porém, persiste o mal-estar de parte dos ministros com o governo Lula (PT). Como o blog já havia mostrado, há a percepção de que o governo teria "largado a mão" da defesa institucional do Supremo no auge da crise.
A leitura interna é de que, embora a solução tenha preservado o que já foi produzido na investigação e evitado um confronto direto, o custo político para a imagem da Corte — e, especialmente, para Toffoli — já está dado.FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/02/12/saida-negociada-evita-julgamento-sobre-suspeicao-de-toffoli-como-ministro-foi-convencido-a-deixar-caso-master.ghtml